Sobre o tempo…

A história
Cada dia que passa
Nunca é a mais – sempre a menos.
Inicia o amanhã – o ontem acaba.
Um passado a menos – um futuro a mais.
Tudo que teve início
Implica, também, o fim.
É um bom princípio
De uma lógica sem fim.
Mathusalém Quaresma

É interessante pensar no tempo, suas definições. Há o tempo cronológico dentro do qual vivemos e o momento oportuno para os propósitos. Chornos e Kairós. Vocês sabem quem são?

Na mitologia, Chronos era um titã que destronou seu pai e tornou-se o senhor do céu e assim, os titãs começaram a governar o mundo. É a personificação do senhor do tempo. Segundo o mito, ele devorava os filhos assim que estes saiam do útero de suas mães.

“Chronos devora ao mesmo tempo em que gera”

Já Kairós era um jovem que não se preocupava com o tempo cronológico, calendário, relógio. Era representado por um jovem nu, com asas nos ombros e nos pés, cabelos apenas nas laterais e segurando uma balança -símbolo de equilíbrio e justiça. Assim, ele só poderia “ser pego” quando agarrado pelos cabelos, ou seja, quando passasse por nós, e não poderia ser pego depois de passado, pois sua nuca era calva e não poderia ser puxado de volta.

“Kairós, embora veloz, não ultrapassa a medida”

Assim,

📅Chronos se refere ao período de tempo, que é medido quantitativamente (calendário/relógio). 

Kairós se refere ao tempo certo, o momento oportuno ou também o “tempo de Deus”, tempo qualitativo.


Deixo, por fim, uma música que gosto muito…sobre o tempo…

Música: Tempo em Movimento de Lulu Santos, Luiza Possi

Somos
Tantos numa só pessoa
Somos o que fomos antes
E o que não seremos mais
Também
Nós já não somos
Como um dia nós sonhamos
Somos o que a vida fez de nós
Que fizemos de nós mesmos
Viver é escolher
Entre o instinto e a razão
Entre a cabeça e o coração
E os destinos da alegria e da dor
E do bem-querer
Da solidão
Nada é por acaso
Tempo
É tão pouco o nosso tempo
Pra tamanho sentimento
Que não cabe no presente
Nós somos nossa história
Nossos sonhos e memórias
Nossas ilusões à toa
Nossas emoções baratas
Viver é aceitar
Nossos bons e maus momentos
Entre razões e sentimentos
Entre o medo e o desejo de amar
Amanhecer, anoitecer
Tempo em movimento

Com amor,

Evelise Psicóloga

Evelise: a Psicóloga (e Professora)!

Acredito que num primeiro momento seja importante falar um pouco sobre mim, sobre carreira e caminhos trilhados.

Pois bem, sou fisicamente essa pessoa da foto e psiquicamente um ser em contínua evolução. No decorrer dos meus 28 anos acumulei muitas histórias, aprendizados, dados e co-dados!

AQUI tem o meu currículo, mas não é somente isso que gostaria de registrar aqui nesse primeiro momento. Quero falar sobre o caminho.

Desde o magistério trilhei um caminho de muita curiosidade e busca incessante por aprender mais e melhor, coisas novas, teorias novas. Enquanto professora sempre tive um modo de ser bem particular meu, que na maioria do tempo era criança com minhas crianças (e comandar as mais diversas travessuras, estripulias e aventuras) mas séria e firme quando era preciso.

Quando entrei na psicologia tive dificuldades de me encontrar em meio as formas de ver o ser humano e de fazer psicologia (trabalhar com RH e organizacional não era comigo…) Somente em 2015 (após 5 anos de graduação) que me encontrei e encontrei a abordagem que fez meus olhos brilharem e meu coração se acalmar: a Gestalt Terapia!

Acho que é bem importante, aliás um divisor de águas, mencionar que a maternidade transformou minha vida profissional (que até então era de professora formada há 7 anos e estudante do 8º semestre de Psicologia). Ser mãe me fez olhar a realidade familiar de outra forma, com muito mais amor, mais acolhimento e entendimento, além de me fazer muito mais crítica e vigilante em situações.

No magistério aprendemos a lidar com educação no que se refere ao ensinar. Me recordo que sempre fui além disso, fazendo cursos, participando de palestras, pois todo o aprendizado sempre era pouco e superficial ao meu ver. Construí a professora que eu gostaria de ter, errando e aprendendo. A psicologia na faculdade é superficial também, nos embasa teoricamente em um pouco de cada área e cada visão de ser humano. Quem me conhece um pouco mais, sabe que eu sou apaixonada por cursos, palestras, encontros de estudos. Acredito que seja isso, a prática e atualização constante, que façam profissionais e pessoas melhores.

Mas ser mãe… me fez e me faz diariamente pensar e repensar enquanto profissional. Ser mãe é uma das atribuições mais loucas e intensas. Louca pois é uma mistura de tudo que existe nesse mundo.

É alegria quando vejo uma descoberta ou uma palavra nova no vocabulário, uma vontade de beijar, abraçar e amassar 24hs por dia. É cansar e querer que a filha durma por que quero estudar ou fazer alguma coisa, mas quando dorme (principalmente no colo) dá vontade de ficar olhando, sentindo o cheirinho e até acordar por que fico com saudade. É ter saudade enquanto ela dorme, ou quando se fica 2 horas longe. É surtar quando faz algo errado e logo depois já consertar a situação e conversar. É se policiar pra tentar fazer o mais tranquilo possível em todas as situações. É rir antes de ir levantar daquele tombo engraçado. É uma culpa sem fim, é um amor sem igual. (Quando eu me tornei mãe consegui realmente entender como minha mãe me amava)

São tantos aprendizados, expectativas, tantas descobertas, tanto cuidado, tanto carinho, tanto amor. É um contato de pele, de olho no olho, de sentir o cheiro sem igual, de todos os sentidos (até o 6º…7º…). Que não é fácil todo mundo sabe. Criar uma pessoa é uma responsabilidade que chega arrepiar se a gente para pra pensar. Mas se recebemos essa missão, acredito que seja por que tenhamos meios para conseguir obter o êxito, sendo suficientemente boa, como diria Freud.

São tantas teorias, psicologias, pedagogias que acabamos por entrar em paranoias e cobranças sem fim. Ah, as culpas… Ah os “Será que não vou traumatizar?” … “Será que…”

Mas sabem, isso tudo me faz perceber que as teorias são válidas (e algumas, ao meu ver, não), que as teorias de desenvolvimento variam muito, que educar é um processo difícil e que é dever dos pais e em casa primeiramente, mas acima de tudo: a única expectativa das crianças é serem amadas e cuidadas! E que adultos tem uma criança (alegre ou ferida) dentro de si que também precisa ser vista e cuidada.

E com tudo isso, entendo que a Psicologia e a Educação tem muito trabalho pela frente, com inúmeras possibilidades de prática, aprendizados e atualizações!

E eu? Ainda tenho muito a aprender, viver e transformar!