Amor Incondicional e Disciplina

Amor Incondicional e Disciplina

“Tenham prioridades prezados pais. Pratiquem o amor incondicional depois disciplinem.”

Li há um tempo atrás um livro fantástico: “As 5 linguagens do amor das crianças” de Gary Chapman e Ross Campbell.
Tem um capítulo chamado “A disciplina e as linguagens do amor” que fala sobre a confusão que nós pais e educadores fazemos a respeito de disciplina, atrelando ela a uma coisa negativa. Mas não é bem por aí.

De modo geral entende-se disciplina como autoridade para direcionar os comportamentos das crianças. O que deve-se ter claro é que disciplina é uma atitude amorosa e que quanto mais a criança se sentir amada, mais ela se identificará com o adulto e assim, aceitará as orientações. E se identificar com o adulto é também agir como ele age. Aquela história do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” deve ficar no passado, viu? Já sabemos que não funciona mais assim (se é que já funcionou realmente…).

Se a criança não se identifica com o adulto, ela irá considerar cada pedido ou ordem como imposição e fará o contrário do que se queria. Assim, como diz a frase extraída do livro “As 5 linguagens do amor das crianças”, primeiro a criança deve se sentir amada, e depois receber disciplina. Ah, e o amor dos pais precisa ser incondicional, certo? Não podemos amar nossos filhos apenas quando se comportam como achamos que deveriam.

Ouvimos muito falar em amor incondicional. Você sabe o que é realmente amar incondicionalmente um filho?
É amar ele mesmo que erre, mesmo que faça algo que o desagrade, mesmo que demore para fazer o que você solicitou. É amar a criança puramente pelo que ela é, apesar de tudo. É aceitar a criança como ela é, como um todo integral.
Lembro que ouvi uma frase de reflexão teológica que diz: “odeie o pecado, mas ame o pecador”. Essa frase faz sentido quando pensamos que não aceitamos certos comportamentos, não concordamos com algo ou com atitudes, ou mesmo não aceitamos o jeito de ser dos filhos (e/ou alunos) e queremos que eles sejam de determinada forma. Não achamos adequada sua reação ou atitude, mas não podemos cair no “eu te amo se tu fizer isso” ou “eu não vou mais te amar se tu continuar chorando”. Poderia citar aqui vários exemplos de frases que já ouvi pais e educadores falarem às crianças.

O que acontece a partir disso não é um entendimento do erro e possibilidade de mudança e aprendizado, mas sim uma opressão que vem do adultismo. Veja bem, não estou dizendo que é aceitar tudo.

Como diz o Prof. Mário Sérgio Cortella: “por eu te amar que eu não aceito que você faça isso”. Ame, amando. E por fim, cito Montessori pelas palavras de Gabriel Salomão que diz: “ensine a criança ensinando, não corrigindo”.

Sobre Brincar e Brinquedos

Sobre Brincar e Brinquedos

“Brincar envolve uma atitude positiva diante da vida. (…)
O brincar é uma experiência que envolve o corpo, os objetos, um tempo e um espaço. É como a vida: tem início, meio e fim.”
(Extraído do livro ‘A criação da externalidade da criança)


Como é importante dar a devida importância para o ato de brincar. Pode ser redundante, mas foi a única palavra que consegui usar.

Fazendo reflexões e leituras sobre Winnicott e Focault (pediatra e filósofo respectivamente) em um texto, consegui ampliar mais ainda novas formas de ver o brincar e os brinquedos para a criança.

Brinquedo: é o que dá suporte a brincadeira

Sobre brinquedos, penso que é necessário levar em conta antes de comprar um que tenha diversos recursos, que o brinquedo que brinca sozinho acaba tornando a criança passiva e não estimula a brincadeira, a imaginação e o pensamento.

Para que a criança desenvolva a capacidade de simbolizar e se desenvolva de forma global, é necessário ter conhecimento da fase em que o filho se encontra e o que é indicado para sua faixa etária.

“A criança se constrói enquanto brinca.”

A teoria Montessoriana defende a ideia de que sejam oferecidos brinquedos que fiquem parados até que a criança vá brincar. Estes brinquedos, que inúmeras vezes são simples e até recicláveis e de fácil acesso, estimulam funções cerebrais, socialização, criatividade e simbolização. Um brinquedo que brinca sozinho acaba tornando a criança passiva e não estimula a brincadeira, a imaginação e o pensamento. 

Como o Dia das Crianças está chegando e os adultos já estão em busca dos presentes, sugiro que a partir disso possa questionar-se para saber qual brinquedo comprar:

👉Este brinquedo vai brincar sozinho ou precisa que a criança dê vida a ele?

👉A criança vai brincar e recriar novas brincadeiras a cada dia de uso ou irá vê-lo brincar uma ou duas vezes e depois de saber como funciona perderá o interesse?

E por fim deixo mais uma reflexão:

“Cercamos as crianças dos brinquedos certos, em vez de lhe dar tempo para brincar, porque nós, adultos, não confiamos nas crianças.  E mesmo assim as amamos. Porque amamos, sem confiar, damos tudo o que parece certo, mas não deixamos que ela faça suas escolhas.”
(Maria Montessori)


Ah, e no meu perfil do Instagram tem mais um post falando sobre Brinquedo e Brincadeira. Confira aqui: https://www.instagram.com/p/B9CkC7fgiU6/?utm_source=ig_web_copy_link