Educação Integral

A educação é um tema bastante abrangente, a partir da sua complexidade. Sabe-se que a educação acontece em todos os espaços onde possamos nos relacionar com o mundo. Estamos envolvidos em atos de aprendizagem constantemente, em diversos contextos e momentos.

Temos na bagagem sempre aquele pressuposto que está enraizado em nós de que educação vem de casa e na escola é apenas escolarização.

Eu acredito sim que ela vem sim de casa, mas que a escola possui o papel social de educar também, além de todos os contextos aos quais a criança está inserida. 

Não podemos dividir a criança e delegar quem vai fazer o quê. Precisamos integrar. Integrar a educação. Dar seguimento. Possibilitar o desenvolvimento pleno e integral de seres humanos. 

Revistando meus aprendizados sobre Montessori percebo que pensava dessa forma e defendia seu método não apenas pedagógico, mas como ajudar a vida das crianças, adolescentes e adultos a ser mais completa e feliz, o que vai de encontro também ao lema central de uma vertente da psicologia (psicologia humanística) que é compreender a pessoa como um todo. Aqui, cabe ressaltar que cada criança possui um ritmo próprio e que não é um tempo organizado por tabelas e itens sequenciais, sem dar importância a singularidade e individualidade de cada ser humano, como era há um tempo atrás. 

Enquanto orientadora educacional, busco reforçar para que a equipe tenha sempre em mente que o principal não é o conteúdo. O principal é a CRIANÇA. Sendo então a criança o principal, a escola tem o papel sim de dar seguimento a educação, visto que quando ela está na escola, ela não é apenas um aluno, e sim uma criança em suas diversas funções (filha, irmã, vizinha, paciente…) um ser integral. Não há como separar. E não estamos falando de quem tem a obrigação do que, estamos olhando para o fato de que do momento que os filhos chegam na escola até o momento que eles saem, a responsabilidade pela criança é da escola, e assim a educação segue.

Para os pais, é preciso orientar para que tenham em mente que seus filhos recebem a base educacional para a sua vida em casa, principalmente nos primeiros anos da sua vida, onde sua personalidade e experiências norteadoras estão sendo construídas. As crianças demonstram o que são nos contextos sociais o reflexo do que elas vivem em suas casas.

Nos meus quase 15 anos atuando na área da educação, entendo que a escola tem o papel de inserir e mostrar para as crianças a importância da socialização. Essas experiências de contato são tão (ou até mais…) importantes quanto os aprendizados técnicos.
Paremos um pouquinho para pensar no nosso tempo de escola: o que nos lembramos com mais facilidade? Das pessoas, dos encontros, de momentos. Podem pedir para seus filhos o que é mais importante na escola. Tentem pedir para seus filhos o que eles lembram na hora sobre escola. Em maioria vão falar sobre os encontros, pessoas, memórias de momentos de socialização (positivas ou negativas). Mas são as memórias mais vivas.

Por isso, vejo o quanto é importante que o desenvolvimento contínuo dos educadores (pais, responsáveis, professores) para que estes tenham consciência de si mesmo (suas vivências, sua história individual), da infância e do ato de educar -em suas mais diversas formas e contextos. Os adultos responsáveis precisam buscar conhecer melhor as crianças, entender sobre elas, para assim respeitá-las em sua singularidade de aprendentes.

A educação é o que facilita a aquisição de importantes habilidades, de conhecimentos, de valores, de hábitos, por isso ela acontece a todo momento e em todos os contextos sociais. Um educando adquire o mundo de forma integral, a partir do seu contato com o outro e com o mundo que o cerca. Assim, a educação se complementa de todos os lados. Educação então é o processo da própria vida acontecendo e se experienciando.

Por fim, deixo um trecho de Rubem Alves, que divide a educação, mas ao mesmo tempo nos mostra que, em sua divisão, uma depende da outra:

A educação se divide em duas partes: Educação das Habilidades e Educação das Sensibilidades.
Sem a Educação das Sensibilidades todas as habilidades são tolas e sem sentido.
Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.

Rubem Alves

Escrito por uma mãe, professora, psicóloga e neuropsicopedagoga, autora de escritas pensantes que possibilitam adultos (pais,profes,profissionais) a pensar sobre desenvolvimento para ampliar e melhorar a relação com crianças e adolescentes.

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